top of page
Buscar

Team building que não é uma desculpa para jantar: o que distingue as boas experiências

Plataforma IMPROV
há 8 horas
4 min de leitura

Há uma fórmula de team building tão repetida em Portugal que já se tornou quase um género próprio: reserva-se uma quinta ou um restaurante com sala privada, contrata-se uma actividade qualquer para a tarde: um escape room, um arvorismo, um quiz de perguntas sobre a empresa, e remata-se tudo com um jantar comprido, com discursos, brindes e fotografias de grupo. Toda a gente sorri na foto. Na segunda-feira seguinte, tudo volta exactamente ao que era antes.


Isto não é, tecnicamente, falso team building. É apenas um dia simpático com um nome mais ambicioso. E a distinção entre as duas coisas - entre um dia simpático e uma experiência que de facto muda alguma coisa - é precisamente o assunto deste artigo.


O problema não é a diversão. É a ausência de desenho.


Nenhum argumento aqui é contra a diversão, o jantar ou a fotografia de grupo. Fazem parte, e bem, de celebrar uma equipa. O problema surge quando esses elementos são o programa inteiro, e não o complemento de algo mais estruturado. Um team building convencional tende a partilhar um conjunto de características reconhecíveis: actividades de resultado previsível e baixo risco emocional, onde ninguém é verdadeiramente desafiado; uma competição ou colaboração superficial, que não exige nada que a equipa já não soubesse fazer; facilitação genérica, igual para qualquer grupo que pague o mesmo pacote; e, sobretudo, ausência de qualquer diagnóstico prévio ou acompanhamento posterior: a empresa contrata o dia, o dia acontece, e ninguém volta a falar nisso.


O resultado é previsível: um impacto quase inteiramente afectivo. Fica a memória de um dia bem passado (o que tem valor, não nos entendam mal) mas não fica, tipicamente, nenhuma mudança real na forma como a equipa comunica, decide ou colabora depois de regressar ao escritório.


O que distingue, então, as boas experiências?


Se há um critério simples para separar um team building decorativo de um que produz mudança real, é este: a boa experiência foi desenhada para a equipa específica que a vai viver, e não comprada de um catálogo genérico. Na prática, isso traduz-se em cinco diferenças concretas. Primeiro, a presença de pressão real - não de stress artificial, mas situações onde a equipa tem mesmo de decidir, comunicar e colaborar sem rede de segurança, em vez de seguir instruções passo a passo até ao resultado previsto. Segundo, uma construção colectiva genuína, em que o resultado final depende verdadeiramente do contributo de todos, e não de duas ou três pessoas mais extrovertidas a liderar o grupo. Terceiro, facilitação especializada com diagnóstico prévio, de alguém que conhece o momento específico da equipa (uma fusão recente, uma liderança nova, uma fase de crescimento acelerado) antes de desenhar a sessão, em vez de aplicar o mesmo guião a toda a gente. Quarto, um impacto comportamental que se mede depois, e não apenas que se recorda - mudanças em como as pessoas se ouvem, decidem em conjunto ou lidam com o erro, visíveis semanas depois da sessão. E, por fim, a possibilidade de continuidade: entender que uma experiência isolada, por mais intensa que seja, raramente substitui um programa com várias sessões ao longo do tempo.


Estas cinco características não são exclusivas do teatro de improviso, mas é raro encontrar um formato que as reúna todas com tanta naturalidade, precisamente porque o improviso exige, pela sua própria estrutura, pressão real, construção colectiva e resposta genuína ao que está a acontecer no momento.


Um caso concreto: como isto funciona na prática


O TEAM_IMPROV, da Plataforma IMPROV, foi desenhado precisamente em torno destes cinco princípios. Em vez de um formato único vendido a qualquer equipa, existem três desenhos possíveis, adaptados ao momento da organização: uma Sessão de Arranque, de meio dia, pensada para equipas que querem uma primeira experiência de improviso ou um momento rápido de energização e conexão; uma Imersão Completa, de dia inteiro, para equipas que procuram uma transformação mais profunda, com tempo para explorar, falhar e tentar de novo; e um Programa Continuado, de várias sessões mensais, para organizações que já perceberam que uma única experiência raramente é suficiente.


Cada sessão segue, além disso, um processo com quatro etapas claras: diagnóstico do contexto e dos objectivos da equipa, desenho do programa à medida, a sessão em si, e um momento final de avaliação de impacto com possibilidade de acompanhamento contínuo. Não é, portanto, “contratar uma tarde de jogos”. É um processo com princípio, meio e depois.


O que fica, segundo quem já viveu a experiência.


“Já fizemos de tudo, karaoke, construção de jangadas, jantar mistério e até um bowling memorável pelas piores razões. Em Março fizemos uma sessão de arranque de TEAM_IMPROV depois de termos integrado quatro pessoas novas na equipa em simultâneo, e foi a primeira vez que vi gente que mal se conhecia a construir alguma coisa em conjunto sem ninguém assumir o comando sozinho. O que me surpreendeu foi perceber que três semanas depois as reuniões de equipa estavam diferentes. Havia menos gente à espera da vez de falar e mais gente a construir em cima do que o colega tinha acabado de dizer. Isso não costuma sobreviver a um jantar de empresa.”


— Carla Góis, People & Culture de uma scale-up tecnológica em Lisboa que a pedido manteremos em sigilo.


É esta a frase “isso não costuma sobreviver a um jantar de empresa” que resume, melhor do que qualquer argumento teórico, a distinção que este artigo propôs desde o início.


Por isso, antes de reservar a próxima quinta, o próximo escape room ou o próximo jantar com discursos, vale a pena fazer uma única pergunta: o que é que vai mudar, concretamente, na forma como esta equipa trabalha, três semanas depois de este dia terminar? Se a resposta sincera for “uma boa memória”, talvez seja exactamente isso que se procura, e está tudo bem assim. Mas se a resposta que se procura é outra, a diferença não está na actividade escolhida para a tarde. Está em tudo o que acontece antes e depois dela.


 
 
 

Comentários


bottom of page